Alimentação vegetariana

Adotar uma alimentação vegetariana é uma moda recente?


Não se sabe, ao certo, quantos vegetarianos há no mundo, no entanto as estimativas apontam para um número crescente a cada ano que passa. As estatísticas apontam que nos EUA existam 7,3 milhões de pessoas vegetarianas, assim como 3,6 milhões no Reino Unido e 30.000 em Portugal!

Os padrões alimentares que integram total, ou quase totalmente, produtos de origem vegetal parecem ser conhecidos e seguidos desde, pelo menos, a Antiguidade Clássica, essencialmente por razões de âmbito filosófico e religioso, mas também de saúde. Não se trata, portanto, de uma “moda” recente!

Este padrão alimentar ou “dieta” não é uniforme, podendo ser exclusivamente baseado em produtos de origem vegetal ou, por exemplo, incluir ovos e laticínios. A alimentação vegetariana pode classificar-se como:

·         Ovolactovegetariana – Exclui carne e pescado e permite ovos e laticínios.

·         Lactovegetariana – Exclui carne, pescado e ovos e permite laticínios.

·         Ovovegetariana – Exclui carne, pescado e laticínios e permite ovos.

·         Vegetariana estrita e vegana – Exclui todos os alimentos de origem animal.

 

É benéfico para a nossa saúde praticar uma alimentação vegetariana?

Nas últimas décadas, com o aumento do conhecimento nas ciências da nutrição e do ambiente, tem aumentado a evidência científica a favor da maior presença de produtos de origem vegetal na nossa alimentação.

Inicialmente, foram descritas as vantagens da ingestão de diversas substâncias presentes nos vegetais, principalmente vitaminas e minerais, capazes de reduzir os riscos de deficiência nutricional. A descoberta de novas substâncias fitoquímicas presentes nos produtos de origem vegetal, com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, capazes de proteger as células (nomeadamente carotenoides, flavonoides, isoflavonas, fitoesteróis, lignanas), aumentou o interesse pelo consumo de vegetais, particularmente da fruta e hortícolas.

Estava lançada a discussão que hoje entusiasma epidemiologistas, médicos, nutricionistas e outros profissionais de saúde, sobre os benefícios do consumo de produtos de origem vegetal e o seu papel na prevenção de doenças, nomeadamente na prevenção de doenças muito prevalentes na nossa sociedade. Estudos epidemiológicos têm documentado benefícios importantes e mensuráveis das dietas vegetarianas, tais como a redução da prevalência de cancro, obesidade, doença cardiovascular, hiperlipidemias, hipertensão e diabetes.

Dietas vegetarianas, quando apropriadamente planeadas são saudáveis e nutricionalmente adequadas em todas as fases do ciclo de vida. Mas, como qualquer outro padrão alimentar, as dietas vegetarianas podem ser inadequadas...

 

O especial interesse pelas dietas vegetarianas não se reduz apenas a questões relacionadas com a saúde. Existem diversas razões que levam um crescente número de pessoas, em todo o mundo, a aderir a padrões alimentares com menores quantidades de produtos de origem animal ou até exclusivamente vegetarianos.

Uma das principais razões apontadas para a opção de uma dieta vegetariana tem sido as questões ambientais!

A crescente quantidade e acessibilidade de informação disponível nos meios de comunicação pode contribuir para uma melhor compreensão e aceitação deste tipo de dietas. No entanto, poderão também ser meios de partilha de informação puramente comercial, sem rigor científico, podendo colocar em causa o estado nutricional destes indivíduos e, consequentemente a sua saúde.

 

É obrigatório tomar suplementação quando se é vegetariano?

É importante sublinhar que é possível adotar uma dieta vegetariana recorrendo de forma mínima a suplementos alimentares e a produtos processados fora da nossa tradição alimentar.

Portugal possui condições ímpares para uma produção vegetal de elevada qualidade, com uma grande variedade e muito diversificada. Toda a nossa tradição gastronómica portuguesa tem como base os produtos de origem vegetal, como a sopa de hortícolas, o pão e as leguminosas, passando pelo azeite como gordura de grande qualidade até à grande variedade de fruta e hortícolas.

Relativamente à proteína, apesar de ser possível garantir um perfil adequado às necessidades da maioria das pessoas com uma dieta vegana, a obtenção deste perfil necessita de uma escolha de alimentos muito criteriosa, que poderá não ser de fácil concretização.

Deverá ser dada atenção para a adequação da ingestão energética e de alguns micronutrientes, nomeadamente a vitamina B12, vitamina D, cálcio, zinco, ferro, iodo e ácidos gordos essenciais. Os alimentos deverão ser a primeira opção para atingir as necessidades nutricionais, sendo que pode ser necessário recomendar alimentos fortificados e/ou suplementação.

A adoção de uma dieta vegetariana não implica, à partida, mais saúde. São necessárias escolhas alimentares adequadas e um estilo de vida saudável, tal como na dieta não vegetariana. Uma dieta vegetariana, se mal planeada, com défice de nutrientes ou com excesso de sal ou gordura, por exemplo, pode ser bastante prejudicial para a saúde.

 

Mais e melhor saúde depende da escolha de um estilo de vida saudável, onde a alimentação é apenas uma de diversas escolhas!

 

Fique EMFORMA!

 


“Linhas de orientação para uma alimentação vegetariana saudável” (Julho 2015), Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável – Direção Geral da Saúde. Disponível em https://www.dgs.pt/em-destaque/linhas-de-orientacao-para-uma-alimentacao-vegetariana-saudavel-.aspx data de consulta 13/09/2018 

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