Microbiota intestinal

24% dos medicamentos recomendados para vários tipos de doenças podem ter comportamento semelhante ao dos antibióticos no intestino

Já se sabia que os antibióticos tinham um impacto negativo no microbioma intestinal e também já se suspeitava que outros medicamentos podiam provocar modificações neste microbioma, no entanto, a extensão deste fenómeno era desconhecida.


O estudo do efeito de cerca de 1000 medicamentos na flora intestinal foi realizado por investigadores do Laboratório Europeu de Biologia Molecular e publicado a semana passada na revista científica Nature.

Os resultados são surpreendentes!


Este estudo demonstrou que não são apenas os antibióticos que provocam alterações na flora intestinal e que muitos medicamentos de várias classes farmacológicas são capazes de o fazer, nomeadamente medicamentos para a hipertensão, contra o cancro, para o estômago, antipsicóticos, anti-histamínicos e contraceptivos hormonais.

Neste estudo foram selecionados mais de 1000 medicamentos comercializados e 40 bactérias representativas do intestino e concluiu-se que 24% dos fármacos inibiram o crescimento de pelo menos uma bactéria.

Este trabalho foi realizado em laboratório, testando cada medicamento em cada bactéria isoladamente. Assim, fica por determinar o efeito que cada medicamento terá no intestino humano, in vivo, onde as bactérias não estão isoladas.


Deste estudo conclui-se então que muitos fármacos influenciam a microbiota intestinal humana.


Como as bactérias do intestino, por sua vez, também podem modular a eficácia e a toxicidade dos fármacos, a interação fármaco-microbiota poderá orientar a terapia e o desenvolvimento de novos medicamentos.


Estudar a interação de medicamentos não-antibióticos com as bactérias do intestino pode ser importante para a medicina personalizada. Cada pessoa tem uma flora intestinal diferente, desta maneira, o mecanismo de ação do fármaco na presença ou ausência de determinadas bactérias também pode ser diferente.


Existe o risco de que uma bactéria que desenvolva resistência a um medicamento que não seja antibiótico, também desenvolva resistência a um antibiótico. Ou que uma bactéria comensal, que vive em simbiose no nosso intestino, ganhe resistência e passe esse gene a uma bactéria patogénica.


O potencial risco de não-antibióticos promoverem resistência aos antibióticos justifica uma maior exploração nesta área.


Por outro lado, a base este estudo pode servir de suporte ao desenvolvimento de novos fármacos com uma atividade antibacteriana mais forte e com menos efeitos secundários.


Fique atento às próximas novidades...

Fique EMFORMA!

Ao continuar a navegar na página web, o utilizador está a concordar expressamente com a colocação de cookies no seu computador que permitem medir estatísticas de visitas e melhorar a qualidade dos conteúdos oferecidos. Clique aqui para mais informações.